quinta-feira, 23 de maio de 2013
quarta-feira, 22 de maio de 2013
quarta-feira, 15 de maio de 2013
A russa
Ela tinha um sotaque maravilhoso. Notei na mesma hora que
era da Xexênia. Ela era soviética. Disse para mim seu nome, que jamais
esquecerei. Verginia Shavatzjnakovak ganhou minha atenção e meu interesse em
sua estória extraordinária e, vendo seus lábios trabalharem freneticamente, me
apaixonei por ela. Sua língua... Tão exótica e tão doce... Se estivesse falando
palavras que eu entendesse, não teria me emocionado tanto.
Excitado que estava, eu a pedi em casamento sem pensar nem
titubear e ela disse que sim, que seria minha para o resto vida, na saúde e na
doença, na paz e na guerra e disse mais, que viveria comigo até debaixo da
ponte e que me daria filhas e filhos lindos com a minha cara e seu todo amor.
Foi um casamento de sonho, que toda garota algum dia sonhou casar assim como
ela se casou. E, naquela cerimônia emocionante, eu disse sim e ela disse também
sim.
Confesso agora, que eu não estava entendendo nada do que ela
falava. Sei que gemia, que me falava palavras carinhosas. Ela me beijava e me
lambuzava, e me salivava com seus quatro lábios deliciosos. Que mulher! Eu a
amava como o poeta ama a letra, como a virgem ama a virtude, como ela amava a
alegria, como o povo ama a liberdade. O amor aconteceu ali, naquele momento
sublime, num arrepiar de vida.
Obviamente – Quem viveu, e viu, e leu sabe -, nós não nos
entendemos assim como nossos corações palpitavam para que as promessas se
cumprissem como desejávamos. Fomos apartados pelas palavras que cada um de nós
dois tentava falar e nenhum dos dois entendia. Ela era russa e eu brasileiro. A
gente só se entendia quando não falávamos. Eu só a entendia quando ela chorava
e chorava no idioma universal da infelicidade.
Eu disse para minha amada Verginia Shavatzjnakovak que
precisava sair dali e comprar cigarros, na banca da esquina. Ela soube, na
mesma hora que falei isso, que eu estava mentindo, que não estava indo comprar
cigarros, nem que a banca era ali na esquina. Eu sei que ela ficou triste e que
sofreu com minha covarde desistência que, para mim, foi um presente para ela, a
mulher que eu nunca entenderia o que falava, mas, assim, a livraria de mim.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Puto de raiva
O mundo horrível de hoje não precisa de boquirrotos pastores
políticos, tampouco de pilantras políticos gays. No fundo de seu armário
inóspito, só querem se locupletar, amancebados que são da opinião midiática e
desentendedora de suas verdadeiras intenções separatistas e explicitamente
diabólicas. Nós, eu e mais uma ruma de criatura do bem, que é “democraticamente”
obrigada a votar nestes pulhas, detestamos esse debate nojento.
Pouco me importa essas picuinhas de senadores, caciques,
donos de partidos e emendados. Nada disso muda nem diminui a minha contribuição
com meus caraminguás, em forma de eternos tributos, e com a minha vida em forma
de falta de segurança, saúde e educação. Eu vou continuar seguindo as regras,
porque sou legalista. Mesmo que sejam leis retrógradas, abusivas e enganadoras.
Leis fascistas eu quebro.
Não voto em quem eu não queira. Se só tem dois candidatos amaldiçoados,
repulsivos, porque eu serei obrigado a sair do fundo da minha rede, em dia de
chuva, morando mal e porcamente no mais escroto barraco, enganchado no mais
perigoso barranco, na mais inóspita favela, do pior bairro, do pior município,
do mais detestável estado, do país mais corrupto, insalubre, mal educado,
trapaceiro e mentiroso do mundo pra votar em qualquer um dos dois?
Porque sair com lama até o saco de plástico, que sou
obrigado a amarrar nos pés pra andar pela rua que o maldito vereador prometeu
“ajeitar”, há quatro anos, num comício do nosso pré feito assaltante descarado?
Por quê? A bosta dessa lei dos seiscentos diabos proíbe que se busque o infeliz
do eleitor em seu domicílio, mas se, por cargas d’água o imbecil do votante não
comparecer e não votar em quem vai lhe roubar, paga multa!
Olha só, que lei nazista: Se o estúpido do eleitor não
votar, nem justificar, por isso e por aquilo outro porque não votou, e nem for
pagar a multa em dinheiro (irrisório que seja, mas é dinheiro que vai pra longe
do bolso dos honestos), mesmo tendo estudado noites a fio, depois do
expediente, pra fazer aquele concurso público e passar em primeiro lugar, não
pode assumir o cargo porque não foi votar naquele palhaço analfabeto.
A criatura, com muito sacrifício e determinação realiza o
seu sonho de uma vida melhor por mérito, sem mentiras, sem corrupção. Passa no difícil
concurso, mas seu direito é tolhido pela diabólica lei do voto obrigatório. Ou
seja: de nada vale seu talento e qualidade intelectual se você, por um motivo
qualquer, Deus sabe qual, não ajudou a eleger um dos tantos espertalhões que nunca
fará nada para a sua vida melhorar.
Na propaganda o personagem diz: “Eu votei limpo!”. Votou numa
sujeira que envergonha gente de bem, que se sacrifica pra exercer o seu
democrático direito de ser vilipendiado, chafurdado e humilhado. Votou limpo numa
imundície que não cessa e não tem fim. Eu e essa gente teimosa, bruta e
prestadora de atenção não queremos que vocês venham nos dizer o quê e como
fazer pra que fiquem mais ricos e nós mais fodidos. Vão pro inferno!
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Rigor mortis
PROPOSTA
Bem que aplacarias, em favor carinhoso,
Um tanto do calor causticante
E não ache que seja impróprio
Pois que tal atitude seria bem natural
Em troca terias para ti, torso musculoso
Obviamente não mais infante
E aonde quiser que coloque-o
Lá estará para o teu deleite hormonal
E também entre as nádegas encaixada
Que este bendito ato se deflagre
E assim, depois da volúpia deflagrada
E dos suores escorridos pela nossa tez
Num batismo que nos consagre
Se entregue totalmente e sem talvez
RESPOSTA
E como é que inerte, o corpo cavernoso
Se moveria, íncubo e lancinante
Por entre as trompas de Falópio?
Se é recluso, entalado no saco escrotal?
Tão ridículo, o semideus todo defeituoso,
Amolengado feito bexiga secante,
Trôpego tal qual usuário de ópio
Há tempos distanciado do calor vaginal!
Que química divinamente arquitetada
Faria em tal defunto esse milagre?
Pois que nem sequer água abençoada
Nem feitiçaria que se diz que faz, não fez
Sequer lavagem íntima, com vinagre
Trará novamente aquilo que fora uma vez.
quinta-feira, 28 de março de 2013
Eu e a Lei de Murphy
É engraçado. Uma brasa insignificante de um palito de
fósforo, queimado até o meio, já se apagando é suficiente pra consumir uma casa
em chamas. Mas quando tu precisa daquela última centelha pra acender uma
fogueira, pra não morrer de frio na mata, ela não colabora. Se apaga num
segundo, num sopro. Aquela porcaria daquele palito filho duma égua se apaga e,
mancomunado com a Lei de Murphy, vai-se embora, desaparece enquanto tu
pragueja.
Olha pra esquerda e não vê nenhum veículo, nem uma
bicicleta, até aonde a vista alcança. Olha pra direita, igual. Nada. Sem movimento,
sem tráfego, tudo tranquilo. Mas, a praga da Lei de Murphy colocou a parada de
ônibus do outro lado da rua e, no precioso momento em que ele vem, no horário,
e tu tenta atravessar as quatro pistas, todo veículo do mundo aparece, como por
mágica só pra ver se tu perde o coletivo ou morre tentando.
Finalmente, depois de meses cantando, declamando poesias de
rima e amor pobres, metendo a mão na poupança, dando presentes caros, cheio de
tesão, ela sucumbe aos teus estratagemas e cede. Cai na tua lábia e entra no
teu quarto, se deita ofegante na cama. Mas, a empata-foda da Lei de Murphy também
está lá, bem na hora em que ela tira a calcinha, tu tá sem camisinha. E, sem
camisinha, não dá. Como é que dá?
Não, essa é de lascar. Atrasadíssimo, ainda abotoando a
camisa espera pelo elevador, dentro dele vem a Lei de Murphy mais aquele
japonês do andar de cima, que é lutador de sumô e seus três amigos de equipe.
Veja se isso é possível, meu Deus! Mesmo assim você ainda insiste, afinal está
atrasado não é? Pergunta encabulado: “Desce?”. É claro que a Lei de Murphy
responde: “Sobe!”. Vamos de escada mesmo, é o jeito.
São apenas sete andares descendo. Corre que tu tá atrasado!
Ofegante, camisa suada, chega no estacionamento, diante do carro, vasculhando
os bolsos percebe que deixou as chaves lá em cima, com a Lei de Murphy. Volta
correndo pro elevador, de onde desembarcam algumas pessoas que não escutam você
gritar: “Segura, segura!”. Quando aperta
o botão, falta energia. Sete andares, subindo de mãos dadas com a odiosa Lei de
Murphy. Nããão!
A Lei de Murphy! Ô bichinha mala-sem-alça da gota serena! Tem
muitas outras situações em que ela é protagonista, mas já falei demais nesta
miserável. Vou finalizar por aqui antes que ela apareça de repente e... Aaah!
Não deu tempo. Ela é foda! Computador travou. Tive que reiniciar tudo e claro, distraído
na escrita, me esqueci de vir salvando. Do segundo parágrafo pra cá, tive que
escrever tudo de novo! Eu odeio a Lei de Murphy!
segunda-feira, 25 de março de 2013
Seres
Tem gente que mostra quem realmente é até sem perceber, com atitudes viscerais, instintivas. Com palavras delatoras de seu caráter e meneios, gestos, expressões corporais específicos que expõem sobremaneira sua índole, seu temperamento, sua alma. Me lembrei agorinha de algumas dessas pessoas as quais desejo fazer conhecidas e conhecedoras de minha impressão sobre sua conduta e a consideração que devidamente lhes dou.
Havia o Roberto, um colega do bairro. Pessoinha completamente desprovida de moral e honra, um cara inescrupuloso, covarde e detestável. Oriundo de uma família cujo pai era um conhecido voyeur (brecheiro, como se diz em Fortaleza, Ceará), que se esgueirava nas madrugadas, pelas sombras dos arbustos de quintais e frestas de janelas, em busca dos corpos nus e adormecidos de vizinhas incautas.
Odiava me aproximar deste sujeito nojento, o Roberto. Como a maioria de seus tios, primos e irmãos mais velhos, que achavam engraçado soltar peidos fedorentos em público, arrotar e dizer palavrões aos gritos e xingar transeuntes com apelidos ofensivos, este pulha tinha a mania detestável de “cumprimentar” os amigos com uma dedada no traseiro. Ser repugnante e desprezível de quem não guardo uma sequer lembrança agradável.
A gente costumava catar maços vazios de cigarros e colecionar. Desmanchávamos as chamadas carteiras de cigarros e as dobrávamos em forma de notas de dinheiro. Era uma das diversões da molecada do início dos anos setenta, no meu distante bairro Aldeota, em torno da mercearia do Seu Antõe Beto e da Dona Albertina. Nessa aventura divertida encontrei o novo menino do bairro, neto da Dona Haideé e de Seu Osmundo, o Sérgio Ricardo.
Com um sorriso cativante e grande simpatia, não foi difícil para o Serginho conquistar minha amizade, fui o seu primeiro amigo da rua. Logo estávamos brincando nos quintais de nossas casas. Sabe aquele negócio de melhor amigo? Pois é, éramos os melhores amigos. Eu magrela e baixinho, o Sérgio gordo e desajeitado. Nós dois juntos formávamos a dupla do barulho que nos valeu apelido de seu tio Osmundinho: dupla pinga-fogo.
Serginho pinga-fogo e Chico pinga-fogo. Eu era um molóide, ruim de briga que Deus me livre. O Sérgio era outro cara da paz, apesar de grandalhão, não era violento e engolia vitupérios e piadas de mau gosto calado ou com um sorriso encabulado. Sabe que criança, menino de rua principalmente, é bicho cruel, né?! Sem uma gota de remorso, não titubeia quando quer fazer alguma traquinagem mais agressiva com o coleguinha mais bobão.
Pois bem, o Serginho era, na verdade, uma bomba-relógio, um vulcão adormecido. Uma folha de cansanção arre-diabo que não se deve tocar nem de leve. Enquanto estivesse no plano verbal, o moleque podia ofender e destratá-lo como quisesse, porém o imbecil do valentão Roberto, burro como qualquer cavalgadura de seu naipe, tinha que ir mais além, era de sua natureza doentia, não podia se controlar e foi parado sobremaneira.
Numa velocidade assustadora, num piscar de olhos o Sérgio virou-se e o Roberto sucumbiu sob o impacto fulminante do direto de direita, na tábua do queixo. Caiu duro tremendo a escrota mão invasiva que jamais tocaria a bunda de um cabra macho novamente. Todo mundo aplaudiu e o Sérgio Ricardo Pessoa virou herói e o melhor amigo do resto da molecada. Deste sim, ser do bem, eu só tenho boas lembranças e grande consideração.
Havia o Roberto, um colega do bairro. Pessoinha completamente desprovida de moral e honra, um cara inescrupuloso, covarde e detestável. Oriundo de uma família cujo pai era um conhecido voyeur (brecheiro, como se diz em Fortaleza, Ceará), que se esgueirava nas madrugadas, pelas sombras dos arbustos de quintais e frestas de janelas, em busca dos corpos nus e adormecidos de vizinhas incautas.
Odiava me aproximar deste sujeito nojento, o Roberto. Como a maioria de seus tios, primos e irmãos mais velhos, que achavam engraçado soltar peidos fedorentos em público, arrotar e dizer palavrões aos gritos e xingar transeuntes com apelidos ofensivos, este pulha tinha a mania detestável de “cumprimentar” os amigos com uma dedada no traseiro. Ser repugnante e desprezível de quem não guardo uma sequer lembrança agradável.
A gente costumava catar maços vazios de cigarros e colecionar. Desmanchávamos as chamadas carteiras de cigarros e as dobrávamos em forma de notas de dinheiro. Era uma das diversões da molecada do início dos anos setenta, no meu distante bairro Aldeota, em torno da mercearia do Seu Antõe Beto e da Dona Albertina. Nessa aventura divertida encontrei o novo menino do bairro, neto da Dona Haideé e de Seu Osmundo, o Sérgio Ricardo.
Com um sorriso cativante e grande simpatia, não foi difícil para o Serginho conquistar minha amizade, fui o seu primeiro amigo da rua. Logo estávamos brincando nos quintais de nossas casas. Sabe aquele negócio de melhor amigo? Pois é, éramos os melhores amigos. Eu magrela e baixinho, o Sérgio gordo e desajeitado. Nós dois juntos formávamos a dupla do barulho que nos valeu apelido de seu tio Osmundinho: dupla pinga-fogo.
Serginho pinga-fogo e Chico pinga-fogo. Eu era um molóide, ruim de briga que Deus me livre. O Sérgio era outro cara da paz, apesar de grandalhão, não era violento e engolia vitupérios e piadas de mau gosto calado ou com um sorriso encabulado. Sabe que criança, menino de rua principalmente, é bicho cruel, né?! Sem uma gota de remorso, não titubeia quando quer fazer alguma traquinagem mais agressiva com o coleguinha mais bobão.
Pois bem, o Serginho era, na verdade, uma bomba-relógio, um vulcão adormecido. Uma folha de cansanção arre-diabo que não se deve tocar nem de leve. Enquanto estivesse no plano verbal, o moleque podia ofender e destratá-lo como quisesse, porém o imbecil do valentão Roberto, burro como qualquer cavalgadura de seu naipe, tinha que ir mais além, era de sua natureza doentia, não podia se controlar e foi parado sobremaneira.
Numa velocidade assustadora, num piscar de olhos o Sérgio virou-se e o Roberto sucumbiu sob o impacto fulminante do direto de direita, na tábua do queixo. Caiu duro tremendo a escrota mão invasiva que jamais tocaria a bunda de um cabra macho novamente. Todo mundo aplaudiu e o Sérgio Ricardo Pessoa virou herói e o melhor amigo do resto da molecada. Deste sim, ser do bem, eu só tenho boas lembranças e grande consideração.
A pomba da Sandra
Desde que parti de Fortaleza, Ceará, há uns trocentos e vôte
anos, eu tenho morado em diversos lugares deste meu país varonil e escutado e
aprendido uma pá de coisa bacana no tocante à cultura, sotaques e expressões
regionais. Algumas dessas peculiaridades idiomáticas, que eu costumo chamar de “modus
falandi” são ora muito divertidas, ora extremamente incompreensíveis e por
vezes de sentido inverso de região para região.
Por exemplo, na maioria dos estados a palavra ou expressão
“baixaria” se refere a um bate-boca, uma discussão exacerbada ou briga de fato.
Já no Acre, além disto, trata-se também de uma comida típica. Consumida como
desjejum, principalmente no Mercado Álvaro Rocha, em Rio Branco, o famoso
mercado do Bosque, a iguaria é constituída de cuscuz, carne moída, ovos fritos
e coentro e cebolinha picados. Humm! É bom demais!
Uma vez eu parti de Maringá, no Paraná até Fortaleza, Ceará.
O ônibus que peguei é famoso por fazer a maior viagem por estradas do Brasil.
Sai do extremo sul do Rio Grande do Sul, cruza as regiões sudeste, centro-oeste
e entra no nordeste pelo norte da Bahia, passando pelo Piauí e Maranhão até
chegar ao Ceará. São quatro dias de viagem, cercado por gente de, literalmente,
todos os lugares do país. É uma verdadeira Babel sobre rodas.
Imagina uma criatura de Bom Jesus do Gurguéia, Piauí num
longo diálogo com uma comadre de Francisco Beltrão, Paraná sendo
mediadas pelo seu Zé, de Guaxupé, Minas Gerais? E se houver algum turista
estrangeiro dentro deste coletivo, alguém que acha que sabe falar “brasileiro”,
que tenha estudado o idioma português, em seu país de origem, com uma mestra
lisboeta? Rá-rá-rá! Coitado! Ia ficar mais por fora que pensamento de preso.
E a gente mesmo não entende toda expressão dita pelo Brasil
adentro não. Escuta essa. Presta atenção. Estávamos eu o grande amigo Dinho
Gonçalves, mais o Grupo do Palhaço Tenorino, em Ponta Grossa, Paraná.
Participávamos de um festival de teatro e como é comum nesses eventos, a gente
quer se amostrar pros novos amigos. Depois de cada espetáculo estávamos lá, em
rodadas de cerveja e muita descontração.
O Dinho “garra da viola” e sapeca uma ruma de canções bem
humoradas, como é de seu estilo. A Sandra Buh, que canta e toca muito bem também
pediu pra entoar umas modas. De pronto o Dinho entregou-lhe o instrumento e,
dirigindo a artista, sugeriu que ela, pra conquistar o público, que o próprio já
conhecia de outros festivais, cantasse aquela música do Clenilson Batista que
fala sobre um pombinho gamado numa pomba.
A Sandra é muito engraçada. Uma comediante nata. Enchia as
bochechas quando cantava “E o pombinho agarra a pomba, ai, ai, ai! E beija a
pomba, ai, ai, ai!”. Com suas caras e bocas fez o publico cantar o refrão com
ela. Conquistou a plateia do boteco, arrancou aplausos e pedidos de “Mais um!
Mais um! Mais um!”. No entanto, muito depois do improviso, nossa amiga nos
confidenciou acabrunhada, um tanto quanto decepcionada:
Enquanto o safado do Dinho se acabava e chorava de tanto dar
risada, eu esclareci o mal entendido, deliberada e maquiavelicamente engendrado
por ele.
- Não, Sandra. É que “pomba” no Acre se refere ao pênis,
né?! Eu e o Dinho nos esquecemos de te alertar que aqui, no Paraná é justamente
ao contrário.
- Esqueceram o carai, seus dois filhos de umas quengas! –
Explodiu iracunda. E o resto do grupo explodiu numa gargalhada uníssona.
sexta-feira, 22 de março de 2013
Direitos e pecados
Se o big deputado gay, anti-bíblico, globático luta por seus
direitos democráticos de fazer, baseado na Magna Constituição Brasileira, uso
de seu divino livre arbítrio e o que lhe der na cabeça, ele está certo, está
dentro da lei e eu, cristão fuleiro, abusando de meu mesmo direito de falar o
que quiser, de ser verborrágico, tal qual o votado o defenderei e por ele
enfiarei a minha cara no fogo da maldita hipocrisia em sua defesa.
Detesto aquele fela da... (Ups!) pátria! Refiro-me àquele mentiroso,
que vende pra gente humilde o dom que Deus deu de graça pra ele. Sei que o
inferno é para quem crer e quem não crer, mas para os que conhecem a Palavra e
dela lançam mão para se locupletar e extorquir e comprar fazenda de gado e
mansão no exterior, vendendo toalhinha com seu suor “milagroso” deve ter um
buraco mais profundo nas profundas do reino do Sapricó.
Cortaram a cabeça de João Batista porque ele não se calou de
maneira nenhuma, nem sob ameaça, nem debaixo de peia. Tacou o dedo na cara do
pecador e disse a verdade, a verdade de Deus. Este país é cristão ou não é? Se
é (que eu sei que não é) deve seguir as Sagradas Escrituras tim-tim por
tim-tim, simples desse jeito. Adultério é pecado, homossexualismo é pecado,
aborto é matar e matar é pecado e mentir também é.
Já pequei todos esses aí e muitos outros pecados mais.
Indagorinha eu cometi um pecado. Mas eu sigo os preceitos bíblicos que, para
mim não são balela, nem mitologia, nem ridículos. Eu tenho vícios, eu sou
humano, eu erro, eu peco o tempo todo, enquanto viver em um mundo que jaz no
maligno. Morto no mal porque o pagamento pelo pecado é a morte mesmo, num tem
coré-coré nem “segura aí, que depois eu pago”.
Pecou, morreu nego véi. Quer morrer, deputado gay? Quer
morrer, pastor pilantra? Eu num quero não. Mesmo assim, não querendo, tem jeito
não, eu vou morrer sim, o deputado e o pastor, todo mundo pecador, a gente vai
morrer sim. Mas eu acredito em Jesus Cristo e procuro seguir, mesmo capengando,
os seus dois mandamentos: amar ao próximo como a mim mesmo e a Deus acima de
tudo. Queria falar mais um pouco, mas não. Tá bom, né?
quinta-feira, 21 de março de 2013
Avalanches do mal
Aqui no Rio de Janeiro, assim como na maioria dos estados brasileiros, uma parte asquerosa da população (gente safada, bandida mesmo) já acorda pensando em quem e como vai enganar, passar a perna, roubar e matar. É de dar ódio, sabe?! Todo ano as chuvas de outono viram enxurradas e avalanches em Teresópolis, Xerém, Petrópolis, Nova Friburgo mas estas são outras histórias de terror e descaso que vou contar depois.
Há três anos - TRÊS ANOS! – uma dessas enxurradas desmanchou o Morro do Bumba, em Niterói. Morreu uma porrada de gente pobre, favelada, trabalhadora. É certo que a natureza também levou um monte de bandidos, traficantes, assassinos e uma ruma de gente que não presta também desceu na lama, no rumo do inferno, mas entre eles num tinha nenhum político pilantra, infelizmente.
Aos sobreviventes e suas famílias de ex-favelados, agora flagelados, sem-teto, sem pai, sem mãe, sem eira nem beira foi pedido que aguentassem o perrengue. Também foi prometido que “o ‘gunverno’ vai resolver essa parada!”. “Deixa comigo!”. “Em outubro ‘é nóis’, viu? Confirma!“.
E assim: Tome-lhe Bolsa Família, Aluguel Solidário, etcetera e tal mais a promessa de construção da espetacular “Minha Casa, Minha Vida”, num moderníssimo condomínio fechado para quem se cadastrasse, bastando para tal, apenas apresentar o título de eleitor.
TRÊS ANOS depois de contratada uma superempresa, vencedora de uma superlicitação para a construção dos superprédios de apartamentos para pobre lascado e outro tanto de espertalhões, apadrinhados de quem participou do esquema - digo, da negociação junto aos governos e bancos - vender, passar pra frente, trocar por um carro velho ou um ponto comercial assim que poder, uma superchuva - Tchibum! - caiu de novo.
Milhares de reais gastos e desviados para construir uma porcaria de condomínio na lama, onde estavam os barracos miseráveis, também foram por água abaixo. Resultado: o prédio, ainda inacabado, rachou, foi condenado, vai ser demolido faltando poucos dias para ser entregue aos pobres coitados, que até hoje vivem de favor ou em alojamentos improvisados. Há TRÊS ANOS! E bote mais uns cinco anos pra que e se as promessas sejam cumpridas.
As chuvas continuam e continuarão caindo fortes e destruindo famílias e matando gente afogada e soterrada. Mas isso é o poder magnífico da natureza que só nos deixa três saídas: sair da frente, sair de perto, sair de baixo. Os desgraçados, de natureza maldita que todo dia acordam pra fazer o mal pros outros, muito mais perigosos do que uma avalanche devastadora também podem ser vencidos, basta ignorá-los nas urnas, no ano que vem.
Há três anos - TRÊS ANOS! – uma dessas enxurradas desmanchou o Morro do Bumba, em Niterói. Morreu uma porrada de gente pobre, favelada, trabalhadora. É certo que a natureza também levou um monte de bandidos, traficantes, assassinos e uma ruma de gente que não presta também desceu na lama, no rumo do inferno, mas entre eles num tinha nenhum político pilantra, infelizmente.
Aos sobreviventes e suas famílias de ex-favelados, agora flagelados, sem-teto, sem pai, sem mãe, sem eira nem beira foi pedido que aguentassem o perrengue. Também foi prometido que “o ‘gunverno’ vai resolver essa parada!”. “Deixa comigo!”. “Em outubro ‘é nóis’, viu? Confirma!“.
E assim: Tome-lhe Bolsa Família, Aluguel Solidário, etcetera e tal mais a promessa de construção da espetacular “Minha Casa, Minha Vida”, num moderníssimo condomínio fechado para quem se cadastrasse, bastando para tal, apenas apresentar o título de eleitor.
TRÊS ANOS depois de contratada uma superempresa, vencedora de uma superlicitação para a construção dos superprédios de apartamentos para pobre lascado e outro tanto de espertalhões, apadrinhados de quem participou do esquema - digo, da negociação junto aos governos e bancos - vender, passar pra frente, trocar por um carro velho ou um ponto comercial assim que poder, uma superchuva - Tchibum! - caiu de novo.
Milhares de reais gastos e desviados para construir uma porcaria de condomínio na lama, onde estavam os barracos miseráveis, também foram por água abaixo. Resultado: o prédio, ainda inacabado, rachou, foi condenado, vai ser demolido faltando poucos dias para ser entregue aos pobres coitados, que até hoje vivem de favor ou em alojamentos improvisados. Há TRÊS ANOS! E bote mais uns cinco anos pra que e se as promessas sejam cumpridas.
As chuvas continuam e continuarão caindo fortes e destruindo famílias e matando gente afogada e soterrada. Mas isso é o poder magnífico da natureza que só nos deixa três saídas: sair da frente, sair de perto, sair de baixo. Os desgraçados, de natureza maldita que todo dia acordam pra fazer o mal pros outros, muito mais perigosos do que uma avalanche devastadora também podem ser vencidos, basta ignorá-los nas urnas, no ano que vem.
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